A origem do Bitcoin
Conhecer a origem e por que ele foi criado é peça fundamental iniciar a compreensão deste valioso ativo
BITCOIN
Raphael Vidal
10/19/20254 min read
Se você chegou até aqui com o intuito de buscar entender um pouquinho sobre esse tal Bitcoin, parabéns!
Afinal, sei o quão sem sentido é ver uma tal moedinha da internet começar a valer uma fortuna ao longo dos anos, aparentemente do nada e aparentemente sem lastro algum.
Sei que passa pela sua cabeça que isso só deve ser algum esquema, pirâmide ou onda passageira. Mas de qualquer forma, você teve curiosidade ou humildade intelectual ao clicar neste post e “pagar pra ver” o que há por trás desse ativo. Sensacional!
Confio fortemente que para aqueles que seguirem curiosos, talvez essa atitude venha a mudar a sua vida. Frase forte, né? Digo isso, porque o Bitcoin é como se fosse um oceano que quanto mais profundo você mergulha, mais perguntas e coisas fascinantes você se depara. Portanto, alinhando as expectativas, por ora vamos nos ater somente à sua origem e futuramente, em outros textos, prometo explorar outras facetas deste que reúne todos os atributos para se tornar o ativo mais valioso do mundo.
A ORIGEM:
O Bitcoin é o resultado de vários experimentos tecnológicos predecessores. Com o avanço da computação e da internet foram desenvolvidos dezenas de projetos e conceitos que de forma mais direta ou indireta contribuíram para a gênese do Bitcoin.


Em específico, destaca-se o trabalho de um grupo de programadores que ficou conhecido como “Cypherpunks”. Os Cypherpunks eram basicamente indivíduos que acreditavam que a criptografia seria uma ferramenta chave para proteger a privacidade e liberdade na era digital.
Naturalmente, um dos principais projetos seria criar um dinheiro fora do controle estatal que pudesse ser transacionado livremente pelo meio digital.
O primeiro projeto de destaque foi o E-Cash, criado por David Chaum em 1982. Àquela altura, os cypherpunks já haviam testemunhado eventos-chave que depunham contra o sistema monetário vigente, em especial, o confisco do ouro em 1933, pelo governo americano, e a queda do padrão-ouro em 1971, no governo Nixon.
Em outras palavras, foram colocadas em xeque a real posse do dinheiro das pessoas (Brasileiros irão lembrar também de Fernando Collor em 1990), e o lastro do dinheiro que passou a ser basicamente a confiança das pessoas no sistema. Não só isso, a desvinculação ao ouro eliminou também as amarras de gastos e impressão de dinheiro pelos governos mundo afora, gerando ondas inflacionárias e perda de poder de compra das pessoas como nunca antes vistas.
Assim, o E-Cash propôs um primeiro modelo de dinheiro digital. Porém, falhou ao depender dos bancos como intermediários das transações.
Em 1996, Douglas Jackson e Barry Downey criam o E-Gold, uma moeda digital com lastro em ouro que chegou a ter grande alcance e ser usado por mais de 1 milhão de pessoas à época. Mas com o aumento do uso, o sistema começou a chamar atenção. Primeiro, de hackers, que conseguiram invadir o sistema e violar transações. Segundo, do governo americano, que em uma canetada derrubou a privacidade do sistema e ainda perseguiram os fundadores, intimando-os por lavagem de dinheiro.
Em 1998, Wei Dai estruturou o B-money. O projeto consistia em um sistema de dinheiro eletrônico distribuído e anônimo que buscava evitar gastos duplos, por sinal, impedir o Ctrl+C / Ctrl+V do dinheiro digital, sempre foi um desafio, algo que sempre remetia à necessidade de se ter intermediários de confiança para validar as transações. Wei Dai conseguiu distribuir a responsabilidade da rede em verificar as transações, contudo, não por completo, pois ainda requeria uma contabilidade centralizada, apesar embora reunisse inovações muito relevantes que foram usadas mais adiante, o projeto nunca saiu do papel.
Na sequência, Nick Szabo cria, em 1998, e publica, em 2005, o Bitgold, uma proposta muito similar ao que é o Bitcoin hoje, ou seja, um sistema financeiro descentralizado que combinaria diferentes elementos de criptografia e mineração. O projeto não pegou tração, mas foi talvez a inspiração final de que o Bitcoin precisava.
Assim, em 31/10/2008, outro cypherpunk, com o codinome de Satoshi Nakamoto publica um paper intitulado: “Bitcoin: a Peer-to-Peer Electronic Cash System”, traduzindo: “Bitcoin: um Sistema de Dinheiro Eletrônico de Pessoa para Pessoa”. E em 03/01/2009, Satoshi minera o primeiro bloco de Bitcoin, dando início ao funcionamento de sua criação.
Paremos aqui e deixaremos para apresentar as propriedades do Bitcoin em um outro momento.
O que vale agora é enfatizar alguns pontos e, ao mesmo tempo, afastar alguns mitos que cercam o tema.


CONCLUSÕES
1) O Bitcoin não surgiu do nada. Antes disso, ele não seria possível, pois as tecnologias utilizadas simplesmente não existiam. Ele é, na verdade, uma conjunção de cerca de 40 anos de estudos e aplicações tecnológicas. Cada projeto que morreu ao longo do caminho deixou elementos que foram usados pelo seu fundador mais adiante.
2) O Bitcoin não nasceu para ser uma moedinha para especulação, mas sim para resolver problemas graves da sociedade, uma vez que oferece um sistema monetário alternativo ao tradicional, dando ao indivíduo autonomia total sobre o seu dinheiro, dentro de uma estrutura descentralizada e com uma política monetária inviolável que não pode ser alterada ao bel-prazer de uma entidade central, além de justa por não diluir os seus detentores via inflação continuamente.
3) Não é por acaso que o Bitcoin tenha sido criado por um anônimo. Os experimentos monetários digitais anteriores sugerem que os governos acabariam perseguindo os criadores de projetos revolucionários que se colocassem como rivais ao sistema financeiro tradicional. O ataque a Douglas Jackson e Barry Downey foi o maior exemplo disso.
Em resumo, pura tecnologia a serviço dos indivíduos. Ou como diria Michael Saylor, empresário e entusiasta do Bitcoin: “Prometeu nos deu o fogo; Satoshi nos deu o dinheiro.”
Quer entender ainda mais detalhes sobre a história dos Cypherpunks? Recomendo que assista ao vídeo a seguir do canal Área Bitcoin.


Até a próxima!
