O Bitcoin MORREU
Somente para os tolos.
BITCOIN
Raphael Vidal
11/23/20256 min read


O SENTIMENTO
Desde o seu topo histórico aos 126 mil dólares em 6 de outubro de 2025, o Bitcoin já caiu mais de 30% deixando o mercado totalmente em pânico.
Se morreu, como chegamos até aqui? Na verdade, esse dado somente revela o quão o pessimismo momentâneo pode nos precipitar, levando a conclusões equivocadas. Por esse motivo, precisamos nos afastar dos ruídos e nos concentrar nos fundamentos para entender se dessa vez será diferente.
No texto de hoje busco apresentar os possíveis elementos por trás da queda e sobretudo aqueles que podem sustentar que o ativo volte ainda mais forte.


Quedas como essa (ou até maiores) são normais nos ainda curtos 16 anos de vida do Bitcoin, mas suficientes para os críticos decretarem mais uma vez a sua morte. Mas será mesmo?
O site https://bitcoindeaths.com/ é um dos que curiosamente contabilizam a quantidade de vezes que foi decretada a morte do Bitcoin. Eles fazem isso catalogando os momentos mais críticos de queda e de ataques públicos que gurus financeiros do mercado tradicional fazem ao Bitcoin. A sua contagem atual mostra que isso já aconteceu 450 vezes. O momento atual deve entrar para essa apuração:
OS TRÊS MOTIVOS DA QUEDA
É possível apontar três motivos agindo simultaneamente para a queda.
O primeiro motivo está relacionado à teoria dos ciclos do halving associada à psicologia humana. Ao olhar para o passado, observou-se que o Bitcoin apresentou sempre 3 anos de alta e 1 ano de queda, sendo o topo do ciclo de alta atingido entre outubro/novembro do ano seguinte ao halving.


Dado que o último halving foi em 2024, significa que o topo viria entre outubro/novembro de 2025. Coincidência ou não, batemos 126 mil dólares em 06/10/2025. Aparentemente, a história está se repetindo.
Nos ciclos passados esse padrão não era de conhecimento dos investidores, uma vez que ele estava sendo formado. Contudo, iniciamos 2025 com esta referência muito clara do que poderia acontecer. Portanto, acredito fortemente que as pessoas se anteciparam. Ao se depararem com uma nova máxima em outubro, começaram a realizar lucros a fim de se prepararem para o inverno cripto em 2026.
O segundo motivo está relacionado a grandes liquidações. Através de dados on chain foi possível observar movimentos de vendas localizadas, mas de grande volume. Primeiro por baleias e hodlers de longo prazo, isto é, investidores que há mais de 10 anos carregavam posições intactas com muito lucro. Segundo pela liquidação de players com alto grau de alavancagem que, quando o mercado começou chacoalhar, acabou por exercer muitas dessas posições. Maior exemplo disso foi no dia 10/10/2025, uma sexta-feira, em que em poucas horas foram mais de US$ 19 bilhões foram liquidados. Tudo isso, em um mercado ainda pequeno globalmente gera mais volatilidade e contribui ainda mais para as quedas.
O terceiro e talvez principal motivo, refere-se ao temor de estarmos à beira de uma grande crise mundial, por conta de uma suposta bolha de inteligência artificial (IA), materializada nos resultados e expectativas em torno das empresas de tecnologia americanas, em especial a Nvidia.


O mercado está cada vez mais cético acerca da capacidade de essas empresas continuarem crescendo no ritmo atual. Analistas e gestores consagrados tais como Ray Dalio e Michael Burry (aquele do filme A Grande Aposta, interpretado por Christian Bale) vêm questionando os números e alertando para riscos.
Na minha visão, o smart money reagiu a esse panorama reduzindo o risco do seu portfólio. Mas curiosamente, não começou pelas Magnificent Seven, pois o S&P500 continua próximo às máximas históricas. Isso nos leva a crer que teria começado pelo mercado cripto.
Isso se sustenta, pois, dado que o mercado cripto está cada vez mais institucionalizado, sobretudo por meio dos ETFs, é cada vez mais comum observar-se de 1% a 5% de alocação das carteiras.
Mas ao mesmo tempo em que essa alocação entra na “caixinha” dos ativos descorrelacionados, ela representa também a ponta de maior risco do portfólio, em função da sua alta volatilidade. Logo, quando o investidor institucional pensa em se proteger de um possível crash, uma das saídas é substituir a exposição a esta classe por ativos considerados mais seguros: ouro, treasuries e até mesmo opções de venda (derivativos).
Se o Bitcoin vai cair ainda mais não sabemos. Diria que se o crash realmente vier, provavelmente voltaremos a ver quedas de 50% ou mais. A única convicção que tenho é que ele voltará mais forte e continuará a renovar suas máximas. Entenda o porquê.
POR QUE O BITCOIN VOLTARÁ MAIS FORTE
Os fatores que vou colocar aqui fazem referência principalmente a aspectos macroeconômicos. E essa é uma discussão que vem ganhando força. Será se o preço do Bitcoin possui um comportamento cíclico realmente por conta do halving ou por conta dos ciclos de liquidez global?
2026 será um ano crucial para obtermos essa resposta. Afinal, se a tese associada ao halving estiver correta, teremos um ano sofrível com mais quedas. Mas se houver um maior alinhamento à tese da liquidez global é possível vermos os preços dispararem tão logo o Federal Reserve (FED), em especial, comece a despejar gasolina no sistema.
E é pela figura do FED por onde começaremos.
Nos eventos da crise de 2008 e da pandemia de 2020, o FED e vários bancos centrais mundiais adotaram um modus operandi que virou o novo padrão do sistema para contenção de graves crises. Primeiro, realiza-se uma grande injeção de liquidez no sistema via impressão de dinheiro e compra de ativos, o famoso quantitative easing (QE). Na sequência, tão logo dissipado o risco mais latente e pavimentada a recuperação econômica, inicia-se o processo de quantitative tightening (QT), em que os bancos centrais realizam uma venda gradual dos ativos acumulados, reduzindo o seu balanço e enxugando a liquidez do sistema.
Somente para combater os impactos econômicos da pandemia, o FED inflou o seu balanço (QE) em quase US$ 5 trilhões de dólares e desde junho de 2022, enxugou via QT de US$ 2,1 a 2,2 trilhões.
Apesar de o balanço não ter retomado ao patamar anterior, saiba que os bancos centrais não hesitarão em retomar o QE. Há importantes motivos para isso. Primeiro, pois o mandato do FED não se restringe a combater à inflação, mas também o desemprego. Segundo, pois mesmo pós com um balanço ainda inflado pós crise de 2008, ele não pensou duas vezes em socorrer o sistema em novo QE.
Isso só reflete o quão o sistema financeiro atual é frágil e manipulado. O capitalismo é feito de crises. No passado, quando surgiam, um darwinismo natural eclodia renovando os negócios e a economia voltava mais forte. Nos tempos atuais, o medo de uma grande depressão é tão abissal, pois cada vez mais sabe-se que a estrutura está erguida sob um castelo de areia moedas fiduciárias que perdem poder de compra a cada dia que passa.
Na contramão disso, temos o Bitcoin, um dinheiro escasso, descentralizado, imutável e que não pode ser manipulado. Diria também antifrágil, por que não? Entenda a partir do gráfico a seguir que revela uma possível correlação entre o M2 global, isto é, a liquidez em circulação na economia e o seu preço:


Se isso for verdade, nos momentos de maior fragilidade global, em que os governos precisam injetar liquidez aumentando o M2, o Bitcoin sairá mais forte, com o seu preço acompanhando esse movimento.
Para completar, há ainda outros elementos que darão propulsão a essa tese:
A possibilidade de mais quedas de juros nos EUA: Mesmo sem uma crise iminente, já se falava em um corte adicional de juros nas próximas reuniões do FED. Caso ecloda um movimento de pânico nos mercados por conta da bolha de IA, o cenário ficará ainda mais convidativo para isso.
Mercado mais leve: Dado que a maioria dos players com altos níveis de alavancagem foram exercidos, o terreno se encontra muito mais propício para uma nova trajetória de alta estrutural e não artificial.
Strong hands: as quedas de preço recentes, especialmente caso continuadas, devem voltar a chamar a atenção de hodlers de longo prazo. Ou seja, nesses momentos de maior incerteza, o Bitcoin costuma sair das mãos fracas dos especuladores de curto prazo e ir para mãos fortes de investidores de longo prazo que são os que possuem menor preferência temporal e sabem que o futuro é ainda mais promissor para a moedinha laranja. É o que eu acredito.
